Após toda adrenalina, ondas gigantes e repercussão geradas pelo já histórico Mormaii Big Wave 2018, evento disputado no último dia 21 de maio na Praia do Cardoso, Laguna – SC, conversamos com um dos caras que está ajudando a escrever esta linda história do big surf no sul do Brasil, e ainda foi o único big rider gaúcho a participar da competição.

Nos referimos ao waterman portoalegrense Fabiano Tissot, pupilo do legend Zeca Sheffer que, assim como o parceiro Thiago Jacaré, empenha-se em honrar o legado deixado pelo mestre.

Recentemente condecorado como o Surfista do Ano de 2017 pela ASPOA – Associação dos Surfistas de Porto Alegre, Tissot é um dos big riders mais bem preparados do país, e nos últimos anos vem se dedicando bastante a duas das ondas mais temidas do planeta, Laje da Jagua e Nazaré.

Fabiano Tissot, Nazaré – Portugal.

Em Portugal ele já contabiliza três temporadas seguidas, muita experiência, resgates incríveis e bombas insanas, uma delas, inclusive, foi indicada para o Oscar das ondas grandes no mundo em 2017, o XXL Big Wave Award da WSL.

Sem dúvidas, com tudo que vem realizando dentro e fora d’água, deve estar enchendo de orgulho o amigo e mestre Zeca!

Zeca e Tissot nos primórdios do big surf no sul do Brasil.

Abaixo, segue um bate papo que tivemos com ele a respeito do Mormaii Big Wave e toda história por trás deste evento marcante.

(Thiago Rausch) – O Mormaii Big Wave 2018 foi um dos eventos mais incríveis já realizados no Brasil. Como começou tudo isso?

Fabiano Tissot – Esse evento é a sequência de um trabalho iniciado pelo Zeca (Sheffer) em 2006, quando ele realizou um campeonato de tow-in na Laje da Jagua, o Mormaii Tow In Pro.

De lá pra cá a gente realizou um campeonato de tow-in na Ilha dos Lobos em 2010 em homenagem a ele, o MCD Charger In Memory of Zeca Sheffer. Depois realizamos na Laje da Jagua outro memorial. Teve também um no Cardoso em 2015, o Mormaii Big Wave Challenge, culminando no Mormaii Big Wave, agora em 2018, que foi muito especial pelas ondas e pela parceria com a WSL.

Esse evento, de certa forma, coroou o trabalho do Jaca (Thiago Jacaré), que vem se empenhando bastante em dar sequência ao que o Zeca vinha fazendo, principalmente nessa parte de eventos e no que diz respeito a Laje da Jagua, pois tem questões bem delicadas que envolvem entidades ambientais e a própria Marinha, então, a galera busca sempre estar de acordo com todas as regulamentações e com tudo que é exigido para manter este legado.

Voltando ao Mormaii Big Wave. Fale um pouco como foi o evento e a oportunidade de vivenciar esse dia épico ao lado de alguns dos principais big riders brasileiros da atualidade.

O evento foi muito especial! Na minha visão, foi marcado principalmente pelo tamanho das ondas e a força do swell. O Cardoso impressionou muita gente, até nós mesmos, que normalmente nesse tipo de ondulação vamos pra Laje da Jagua, e não pro Cardoso.

Foi, também, uma coroação para essa nova geração do big surf brasileiro. O primeiro evento o Lapo Coutinho tinha vencido, e o Lucas Chumbinho tinha feito final – Aquele foi o primeiro campeonato de ondas grandes da vida dele. Agora o Lucas venceu e comentou em agradecimento na premiação, o quão importante aquele evento foi pra carreira dele, e o quanto isso ajuda a galera a ter contato não só com as ondas, porque esses caras viajam muito, mas com as regras e todo ambiente de competição.

Pra nós é um privilégio receber toda essa turma, porque ter este contato com os caras, conversar com eles, ver as pranchas, recebê-los em casa e vê-los surfando é muito importante para a evolução do surf de ondas grandes por aqui e em todo Brasil.

Durante o evento, Marcos Monteiro e Lucas Chumbo surfaram juntos uma das maiores ondas já registradas no Brasil. Foto: Moises Trindade

Em relação a organização, logística e toda execução do evento, o que achou?

Estão todos de parabéns, a Atow-inj, a Associação dos Surfistas do Farol de Sta. Marta, a Fecasurf e a WSL! Além deles, tivemos a participação da galera do Sports Resgate e a parceria da equipe do Marcos Monteiro, que vieram direto WCT do Rio – então, tu vê, na questão da segurança, não ficamos devendo em nada para o Circuito Mundial. Foi demais ver a união da galera do big surf em volta de todo esse trabalho que o Zeca iniciou – ele, que sempre pregou isso, o trabalho em equipe envolvendo todo mundo. Então, pra nós foi uma coroação mesmo, pela parceria com a WSL, pela transmissão ao vivo, pelas ondas realmente estarem boas, pelo público ter lotado a praia e por ter saído todo mundo ileso!

Um detalhe para a chamada do evento, que foi bem delicada na questão de escolher este swell, é que esse o ciclone foi bem forte e teve muitas alterações. Isso fez com que a chamada saísse em cima da risca, de última hora mesmo, pois o swell adiantou, então tivemos que antecipar o sinal verde, o que nunca é fácil.

Realmente foi um campeonato nota 10 – provando que o Brasil está com tudo também no surf de ondas grandes, não apenas com o “Brazilian Storm”. Devemos ter aí um plantel, um potencial humano, para “incomodar” pelo menos pelos próximos 20 anos, ou mais – espero que tenham muitos outros eventos como esse!

Premiação Mormaii Big Wave 2018, Farol de Sta. Marta, Laguna – SC. Foto Rafa Shot

Após um evento desta magnitude, é provável que de mais um “up” na cena local. Como tu vê o atual momento do big surf na região?

A cena local está crescendo, a região do Cardoso e da Laje da Jagua está se tornando um polo de big riders. A cada swell novo a gente vê que as pranchas estão maiores e melhores, a galera está com equipamentos de proteção mais adequados e as ondas têm correspondido às expectativas.

E como foi, além de se envolver na organização, competir naquelas bombas?

Eu, da minha parte, fiquei muito feliz por ter sido indicado pela Atowinj para competir, apesar de não ter ido adiante na bateria. Mas foi legal, já saí da água e pulei no jet pra ajudar a galera no resgate. E como fiz resgates, nossa, aquele dia tava sinistro! Teve cara puxando o colete inflável e tudo…

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Após correr sua bateria, Tissot auxiliou nos resgates. Foto: James Thisted

Algum momento especial que queira relembrar aqui?

Foi muito gratificante pra nós ouvir do Chumbinho, na hora da premiação, que os resgates estavam melhores que os da WSL. Muito gratificante mesmo, porque é uma coisa que a gente preza bastante, a segurança da galera!

Os resgates fizeram a diferença e foram elogiados por todos. Foto: Rafa Shot

Como funciona seu novo projeto, o Tissot Surf Club? 

O Tissot Surf Club tem a missão de fazer a galera fica mais tempo dentro d’água, surfar mais. Nesse sentido, tem alguns pilares básicos. Um deles é o Surf Experience, desenvolvido em parceria com o Prof. Fernando Gouveia, que é um método baseado nos meus treinamentos para ondas gigantes, adaptado para todos estilos do surf, até mesmo para não surfistas. Ele compreende técnicas de yôga, ginástica natural, pilates, artes marciais e treinamento funcional. Acontece todas terças e quintas, às 19h e 20h, na Team Nogueira, em Capão da Canoa.

O outro pilar é o jet ski, que está sendo usado em Atlântida para fazermos step off e tow out, ajuda muito nos dias de outside, ainda mais aqueles mares com muita corrente e altas ondas. Em um dia que o cara pegaria duas ondas em uma hora, com o auxílio do jet consegue pegar umas quinze, vinte ondas…

O terceiro pilar é o foil, modalidade que se encaixa perfeitamente nas ondas do nosso litoral. O melhor, mais fácil, rápido e seguro lugar para aprender a surfar de foil é começando atrás do jet. Assim você domina o voo com mais tranquilidade e segue o passo a passo indicado por todas marcas e todos profissionais. Pois desde a Go Foil, até o Kai Lenny, todos indicam para iniciar com o auxílio do jet. Por isso tenho feito umas aulas voltadas para quem deseja aprender. Os que praticam uma vez se apaixonam completamente, não tem nem como explicar a sensação que o foil proporciona. Fora isso, tem mais novidades vindo aí, mas por enquanto deixa assim…                                          

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Pra encerrar, deixa um recado pra galera do Pampa Barrels.

Obrigado a turma do Pampa Barrels, que está sempre ligada no trabalho da galera, sempre dando uma força e aquela moral! É isso que faz o surf crescer, que faz a galera estar mais dentro d’água, pegando onda, se divertindo e levando este estilo de vida adiante, que é o mais importante.

Fotos colaborativas: Moises Trindade, Rafa Shot Photography, Willian Becker e Arquivo Pessoal Tissot.

 

 

 

 

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