Uma trip que deve constar na lista de qualquer surfista viajante que se preze, sem dúvidas, é para África do Sul!

Não apenas por ter uma das direitas mais perfeitas do planeta, nem por essa direita ser um baita teste de coragem e sapiência, mas, também, por se tratar de uma cultura incrível, um tanto selvagem, e o litoral ser banhado pelos oceanos Atlântico e Índico – o que significa muitos picos ao logo da extensa costa litorânea do país.

Recentemente, nosso parceiro e local de Tramandaí Humberto Rocha, o “Tchaca”, voltou de uma viagem por lá, onde realizou o sonho de surfar Jay Bay. Abaixo, confira o bate papo irado que tivemos com ele!

1 – (Pampa Barrels) Recentemente tu voltou de uma trip pela África do Sul. Conte um pouco como foi a experiência por lá.

(Tchaca) – Já fazia anos que a África do Sul fazia parte do meu roteiro, e esse ano coloquei como meta e graças a Deus consegui realizar esse sonho. Surfar J’Bay foi algo magnífico, a melhor onda que surfei na minha vida! O lugar é fantástico e a onda simplesmente perfeita.

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Humberto Rocha, Jefrey’s Bay – África do Sul.

2 – Que irado que surfou J’Bay! Qual foi a sensação de surfar nesse point break tão perfeito e simbólico à cultura surf?

A sensação que tive deve ser a mesma que um piloto de formula 1 sente quando entra na pista dos sonhos para ultrapassar seus limites… A onda é muito longa e com seções diferentes uma da outra, o que propicia um surf de alto nível e faz o surfista evoluir de verdade.

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Humberto Rocha, Jefrey’s Bay – África do Sul. By Robbie Irlam

3 – Não tem como não falar deles, os tubarões. Viu algum ou presenciou alguma situação com eles?

Tem tubarão! Mas nem entrei nessa paranoia e só foquei no surfe. Teve um dia que saí da água já escurecendo. Daí sim, quando estava saindo do mar me lembrei e me arrepiei! O único ocorrido foi  que, no surfe da tarde, dois gringos estavam sentados no line up e viram um tubarão branco passar entre os dois, só a barbatana gigante cruzando entre eles…

4 – Indo mais a fundo nessa questão. Tu notou alguma influência dos tubarões no surf local, algo relativo ao cotidiano, cuidados, medo e etc?

O que eu percebi é que não teve nenhum impacto no surf local e no turismo, muito mais que a WSL continua com o seu melhor evento do ano lá. Mas, todo cuidado é pouco!

5 – Tendo em vista a qualidade das ondas do país e um Campeão Mundial local, porque tu acha que nunca surgiu um novo Shaun Thomson?

Essa pergunta é interessante, pois surgiu sim, o local de Durban Jordy Smith, que está sempre lá em J’Bay treinando e é quase imbatível naquelas condições clássicas que o pico oferece. Mas, respondendo tua pergunta, talvez seja o fato de o surf não ser muito valorizado no país, consequentemente, atletas de alto nível são escassos.

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Jefrey’s Bay – África do Sul. By Humberto Rocha

6 – Tu encabeça o ranking gaúcho Senior – e agora também na Master, já há algum tempo, vence campeonatos locais em Tramandaí, além de ainda arranjar tempo para ser pai de família e tocar a Expresso São José (Tchaca é executivo da empresa). Aí, eu te pergunto. De que forma o surf te ajuda nestes desafios como competidor, empresário e recentemente Pai?

Na verdade o surf competição me ajudou e ajuda muito na minha vida profissional na São José, a ser pai de família e como homem. Muito das decisões, coragem, rapidez para poder resolver situações imediatas, eu devo as competições de surf… O surf salva!

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Humberto Rocha, Jefrey’s Bay – África do Sul. By Robbie Irlam

7 – Faça uma breve reflexão a respeito da sua evolução, tendo em vista os dois paralelos que experimentaste nos últimos meses, Surf no RS vs. Surf em J’Bay.

Foi uma das viagens que eu mais senti evolução, porque a onda propicia todas as manobras. As mesmas pranchas que eu uso em Tramandaí eu usei lá, só aumentei um pouco o volume. De resto, tudo igual.

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Conexão África/Brasil. Tchaca interagindo com o povo local.

8 – Para finalizar, deixe uma mensagem pra gurizada que sonha em ser “alguém no surf”.

O que eu gostaria de dizer para essa nova geração de excelentes surfistas é o seguinte: ESTUDEM e TRABALHEM, para o quanto antes conseguirem guardar uma graninha para viajar. Fazendo isso, mais cedo poderão ser os futuros campeões.

* Apoio: Expresso São José – parceira do Pampa Barrels desde 2013.

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