O último boom do surf tem mexido demais com a imaginação e o desejo de surfistas por todo planeta.

Principalmente depois da divulgação do Surf Ranch do Kelly Slater e, recentemente, após a etapa da Founder’s Cup, realizada pela WSL em Lemoore, Califórnia – USA, nem Gabriel Medina ou John John Florence ocuparam tanto espaço na mídia durante as últimas semanas (Talvez agora, Felipe Toledo e a Barrinha de Saquarema sim).

Pra impactar ainda mais a todos, em paralelo a realização do campeonato na fazenda do Careca, foi lançada no Texas a piscina de Waco, uma vala perfeitamente improvável gerada por bolhas de ar, algo totalmente diferente de Lemoore.

Seth Moniz, Waco
Seth Moniz, Waco – Texas. Foto BSR Surf Resort

Seu cartão de visitas foi indigesto! Um dos maiores backflips já vistos, executado pelo havaiano Seth Moniz durante uma sessão monstra em parceria com o conterrâneo Jamie O’Brien e amigos.

Para saber um pouco mais sobre este novo universo do surf e, principalmente, a respeito da piscina de Waco, nada melhor do que falar com quem já teve o privilégio de surfa-la.

No último Domingo, dia 13 de maio, o big rider gaúcho radicado na Califórnia Igor Lumertz foi um dos felizardos que pagaram 60 dólares por uma hora de surf em Waco.

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Arquivo Pessoal Igor

Igor, que já dropou ondas gigantes em picos como Waimea, Mavericks, Todos os Santos e Puerto Escondido, se diz fissurado no novo brinquedo, mesmo sendo uma onda merreca. Além de Waco, ele também surfou a Wave Garden de Austin.

Abaixo, segue o bate-papo que tivemos com o Igor.

(Thiago Rausch) Depois do lançamento bombástico, milhares de surfistas tentaram, sem sucesso, garantir lugar nos primeiros dias em Waco. Como tu conseguiu essa façanha de ser um dos únicos a surfar essa onda tão bajulada logo de cara?

(Igor Lumertz) Quem me falou que tinha aberto foi o Vini Fornari, que também mora aqui na Califórnia. Me pilhei na hora, mas, depois ele disse que só ia abrir no verão. Eu não tenho acompanhado muito as redes sociais, só vi uns vídeos que os amigos mandaram, achei até que já estava aberto. Nisso, um outro amigo me mandou uma foto com um número de telefone, para ligar e agendar uma seção. Liguei muitas vezes e ninguém atendia. Fiquei com o telefone no bolso durante o trabalho com o fone de ouvido e passei o dia tentando, até que uma hora uma mulher atendeu e disse que tinham várias vagas e o preço era US$60,00 a hora. Pensei: – Nossa, ninguém ta conseguindo, será que é verdade? Confirmei dois horários pra Domingo, dia 13 de maio, meio sem acreditar, eu nem sabia que a piscina tinha aberto no sábado, foi muita sorte!

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Arquivo Pessoal Igor

E como foi teu dia no paraíso de Waco?

Então, a piscina abre as 11:00hrs, e eu peguei os horários das 12:00 e das 13:00. Cheguei as 10:30 para assistir a primeira turma e entender um pouco da onda e a linha a se fazer. Montei meu guarda sol ali e fiquei brincando na areia vendo “o mar” flat. É impressionante, os caras fizeram uma praia mesmo, com areia e tudo!

Quando começou a sessão, a primeira série que entrou foi demais! O cara vai a loucura quando vê uma onda daquela ali perfeita – mesmo sendo merreca, mas é perfeita! Daí os caras remavam na onda e não conseguiam pegar. Aí sim eu fui “a loucura”!

Depois, olhando com calma, deu pra ver que era bem difícil de pegar a onda, de aprender e se adaptar na remada dela é meio estranho. O drop “dificílzinho”, uma merrequinha rápida. Cada onda é diferente e são séries de três ondas. A 1 é bem limpa e fácil de remar, pois ela vem com a piscina lisinha. Já a 2 e a 3 são meio balançadas no drop e parece que tu ta remando num redemoinho, meio estranho e difícil de pegar, tu tem que remar bem pertinho da parede e tem que largar os pés rápido, quase imbicando. É fácil de perder a onda e difícil de aprender.

Mas, quando tu sobe e joga pra onda é uma parede animal de meio metrinho, lisa, bem em pé, tu não sabe nem o que tu quer fazer nela de tão perfeita. Tu não sabe se quer dar manobra, ou atrasar pra pegar um tubo. Como eu disse, é pequena, mas quando tu vê um tubinho é da nossa natureza já, né, sempre tentar botar pra dentro. É muito show, impressionante mesmo, da pra dar três manobras na onda, ou dar uma e pegar um tubinho!

E o que tu diria pra quem está afim de conhecer Waco?

Pra quem quer vir treinar vários aéreos e aprender diferentes tipos de manobra é perfeito. Porém, eu diria que não vale a pena vir do Brasil para surfar essa onda! A não ser que tu já estejas por aqui, com família visitando ou fazendo algo, aí sim vale muito a pena vir conhecer!

Responda rápido. Waco ou Mariluz?

Nada como o mar e a sagrada Mariluz, né! Na piscina uma hora o cara enjoa de dar as mesmas manobras. Pelo menos eu, que dou sempre as mesmas manobras e não fico dando aéreo, acaba enjoando um pouco. Logicamente eu vou surfar lá de novo, a onda é viciante! Mas pra mim ta legal já, mesmo que eu venha outras vezes, o mar é o mar.

Tu também teve uma experiência na Wave Garden de Austin. O que achou dela?

A piscina de Austin se chama In Land, que é da Wave Garden. Um onda bem mais lenta e funciona tipo a do Kelly com uma pá gigante e uma plataforma do lado. Ela é mais longa, mas bem mais devagar e difícil de manobrar, além do preço ser mais caro, lá paguei US$100,00 a hora. Na minha opinião, se os caras da Wave Garden não melhorarem a tecnologia e o preço deles, a onda vai falir, porque a de Waco é bem melhor e mais barata!

 

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E que prancha tu usa na piscina?

A prancha que tenho usado geralmente no mar, na piscina e no rio. Uma Cuscabarone 5’9 bem bordudinha, com uns 19 de meio e rabeta swallow. Eu sempre tenho ela no carro porque as vezes eu surfo uns rios lá no Colorado, tem até uns vídeos no youtube, é bem legal!

Fala um pouco mais da tua experiência em Waco, estamos com saudades de te ouvir!

É muito divertido, os caras fizeram uma merreca muito animal! Eu virei merrequeiro, surfando altas merrecas, sempre feliz, mesmo estando a um tempo sem surfar ondas grandes. Antes de Waco eu estava há um mês sem surfar, só trabalhando. Então, foi divertido e muito bom ir lá conhecer. A máquina que eles fizeram é incrível, se nós tivéssemos uma dessas aí no sul… Nossa, a galera ia evoluir muito! Se um dia eu ganhar na lotu, vou construir uma aí, tu vai ver só! Bem no centrão da Mariluz! hehehe!

Pra fechar, deixe um recado pra galera do Pampa Barrels.

Eu queria te parabenizar pelo trabalho com o Pampa Barrels, se não fosse o teu projeto nestes últimos anos, o que seria do surf gaúcho? Eu sei que o trabalho nem sempre é valorizado como deveria, principalmente aí no Rio Grande do Sul, isso que tu faz ninguém tu faz. A competição interativa é muito irada, pois reune a gurizada e todos mandam seus vídeos, eu me amarro em julgar e poder ver a turma quebrando e evoluindo a cada ano! Lembro que um ano julguei uns aéreos e fiquei muito impressionado com o nível dos guris. O Irmãos do Mar que tu me mostrou outro dia muito irado também, falando do “Pedra” (Rodrigo Dornelles), do “Fá” (Fabrício de Bona), do Marcelo Mota e essa galera monstra, isso é a história do surf. Tu ta de parabéns, o Pampa Barrels é o evento número 1 do sul hoje, que realmente está erguendo o surf do estado! Vamos valorizar, um abraço e boas ondas a todos!

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