Quem nunca pirou naqueles vídeos de Go Pro com tubos “intermináveis” na mística bancada de Skeleton Bay? Pois recentemente um soul surfer portoalegrense, de tanto pirar nestes vídeos, acabou indo sozinho conferir a imperfeita perfeição do inóspito pico africano.

Falamos de Diego Ruschel Alves, um cara apaixonado por tubos nervosos e aventureiro nato, que inclusive já foi destaque aqui no Pampa Barrels na matéria Puerto Alegre, quando destacamos as performances dos surfistas gaúchos durante a temporada mexicana.

Abaixo, segue um bate papo que tivemos com o Diego via facebook, onde falamos, entre outros assuntos, desta experiência incrível na “Baía do Esqueleto”.

Nome Completo: Diego Ruschel Alves

Idade:  25 anos

Onde nasceu e mora atualmente? Nasci em porto alegre e sigo vivendo por aqui!

Quiver atual: 5´11 hennek, 5´11 klimax, 6´3 al merrick, 6´3 pyzel, 6´6 rm, 7´0 linden, 8´2 cabianca e 9´0 pyzel

De onde vem sua paixão por ondas pesadas e tubulares? Tenho a sorte de ter um pai que gosta de tubo, então não foi difícil herdar a paixão dele ao fazermos algumas trips juntos quando eu era moleque.

Diego Alves, Indonésia
Diego Alves, Indonésia. Arquivo Pessoal Diego

Como surgiu a ideia de viajar para a Namíbia surfar Skeleton Bay? Cara, desde que vi aquele vídeo antológico do Cory Lopez, em 2008, essa onda ocupava meus pensamentos – mas pensava ser um sonho infantil e inalcançável… Até que meus amigos Mark Daniel e Nelson Pinto foram pra lá em 2013 e vi que a viagem era possível. No início desse ano (2017) me deparei com um artigo da swellnet explicando que a bancada está acabando em função do avanço do deserto sobre o mar e decidi que faria a missão assim que um swell significativo pintasse nos mapas! Peguei as informações com o Nelson e o Mark, embalei as pranchas e fui – sozinho mesmo.

E como foi a experiência nessa onda que muitos dizem ser a mais perfeita do mundo? A onda não é perfeita! Não dá pra ter noção nos vídeos, mas ela varia muito de velocidade ao percorrer a bancada e é absurdamente quadrada. É um double up infinito e imprevisível. O point tem 2 km de extensão e você é arrastado pela corrente essa distância inteira em 10 minutos – tendo que gastar 30 min para voltar caminhando na areia pesada (ou 15 min correndo nas duas primeiras horas de surfe, enquanto o corpo permite). Nas 5 primeiras ondas não consegui subir em pé na prancha e comecei a entrar em desespero, pois já se iam 2 horas de surfe… Pelas 9 da manhã a maré encheu um pouco, comecei a pegar o timing daquela aberração que chamam de onda e vivi o melhor dia da minha vida. Quase tive um ataque cardíaco pela intensidade e duração da adrenalina que aqueles tubos geraram no meu corpo!!

Dizem que é bem difícil de acertar um swell por lá e que a onda é bastante imprevisível em certos aspectos. Fale um pouco sobre isso. A Namíbia fica na costa sudoeste da África – um dos lugares com maior incidência de swell do planeta, mas a bancada de Skeleton é bem virada no sentido oeste > leste e a batimetria local não favorece muito a refração do swell, então a onda precisa de uma ondulação com bastante influencia de oeste e muito tamanho pra funcionar. Pesquisei sobre quais foram as condições das melhores ondulações que já aconteceram por lá e monitorei diariamente, até que o swell de 8 de Junho pintou nos mapas. O auge, quinta de manhã, marcou 21 pés – 17 segundos e 213⁰. O mar tinha 6 pés, então dá pra se ter uma noção de quão protegida e difícil de quebrar  onda é!

Li um post que fizeste falando que antes de pegar o tubo mais longo da sua vida havia sido amassado pela onda. Não deve ter sido fácil surfar essa onda de backside, hein!?A onda mais difícil que já surfei na vida com distância de dobro para a segunda!! hahahahhaha.. Tive sorte de não me machucar ou quebrar todas as pranchas antes de conseguir entrar no timing dela. Me senti um amador por vários momentos e a viagem foi uma experiência importante também nesse sentido: uma lição de humildade.

E aquela aparição no vídeo dos gringos que saiu na Surfing, que belo reconhecimento hein meu camarada!? O point é muito muito muito longo e a onda é abaixo do nível do mar, o que torna filmar uma missão bem difícil. Os cinegrafistas ficam em segundo plano pras gopros! Fiz a burrice de não comprar uma para mim, então fiquei bem feliz que saiu o registro de um momento da sessão!!

Como são seus treinos para estar pronto para as melhores ondas do mundo, alguma preparação específica? Faço Crossfit desde o ano passado e esse é o ponto crucial da minha preparação. Além disso comecei a pouco uns treinos de apneia com o mestre Lucas de Nardi, tento me alimentar bem e evitar a night (esse segundo nem sempre consigo ahahahahha)…

Ano passado te vi pegando altas em Puerto Escondido. Como foi essa trip? Foi muito irada!! Puerto também não é uma onda fácil, né!? É pesada, fecha, tem crowd, precisa de direção especifica de swell pra ficar boa… Mas a recompensa é literalmente gigante! O lugar tomou meu coração e espero poder voltar pra lá o resto da minha vida.

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Diego Alves, Puerto Escondido – México 2016. Por Buho Jarquin

Qual será a próxima missão do Diego pelo mundo? Tenho um plano pra uma onda apocalíptica na indonésia, mas vamos ver como as coisas se desenrolam!!

Deixe um recado pra galera que, assim como você, ama e faz de tudo pelo momento mais sublime do surf, o tubo. Voem pra Namíbia no próximo swell!! Hahhaha… E lembrem que, como diria meu amigo Zuch, Life is Good!!

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